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Carência: de onde vem e por quê nos sentimos assim

O nosso LAB agora vai contar com a parceria da psicóloga Natalia Marques (@psinataliamarques) o/ Ela vai escrever de tempos em tempos por aqui, sobre assuntos referentes ao mundo dos relacionamentos e sentimentos. Para estrear essa colaboração, vamos falar sobre a carência, sim senhora! A Natália vai responder algumas questões sobre esse fantasma que volta e meia pode aparecer e nos desestabilizar:

Quais "gatilhos" podem fazer com que nos sintamos carentes?

Acredito que a carência recebe interferência direta de uma cobrança social em estar constantemente em um relacionamento amoroso. Nós, mulheres, recebemos intensa pressão social para nos casarmos e termos filhos. Por mais que racionalmente tenhamos conosco que somos independentes e livres, que não dependemos de relacionamentos, por vezes, aquela cobrança e culpa internalizada nos “pega de jeito”. Sabe aquela tia que insiste em perguntar “e os namoradinhos", que não aguentamos mais ouvir? Pois é, quando estamos carentes, esta pergunta nos fere, nos causa insegurança.

E o pior?

Somos ensinadas a nos basear e depender de aprovação masculina para nos sentirmos bonitas, suficientes e interessantes. Por tudo isso, às vezes pode bater aquele medinho sabe, de pensar: “E se ninguém me quiser?”. Ou sentir que podemos estar de alguma maneira frustrando ou decepcionando nossos pais e toda a sociedade.

Como conseguimos identificar a carência em nós mesmos? Quais os sinais que ela geralmente exibe?

Quando estamos carentes tendemos a encontrar afeto onde não existe, e especialmente oferecê-lo para quem não merece e não é recíproco. Muitas vezes também, tentamos encaixar uma pessoa de qualquer jeito em nosso mundo. Quando queremos um relacionamento amoroso de qualquer maneira, a qualquer custo, tudo que aparece nos parece interessante, aí vamos tentando moldar, moldar e moldar as pessoas. Nos frustramos, e frustramos o outro porque não estamos namorando por ter encontrado alguém que realmente nos soma, mas sim por carência. Sabe aquela história de não ir ao supermercado com fome? Então, ela também serve para relacionamentos, não é indicado nos relacionar quando estamos demasiadamente carentes. #ficadica

Quando a carência “nos pega de jeito”, podemos perceber que ficamos focadas em conhecer alguém com quem possamos nos relacionar, focando por vezes toda nossa atenção nessa conquista. E algo perigosíssimo, passamos a nos enganar e sentir que migalhas são demonstrações de interesse. Uma visualização de story, um like em uma foto, uma resposta curta a cada 12 horas, um “oi sumida” na madrugada. Tudo vira demonstração de afetoToma cuidado! Não pode deixar esse sentimento tomar conta de você!

Quais as diferentes formas de começarmos a nos libertar de comportamentos ligados à carência?

Para começar precisamos entender uma coisa: nós vamos sentir carência! Vai ter um dia em um domingo chuvoso que vai se sentir carente, em uma roda de amigos onde a maior parte namora, em um cinema, em diversas situações da sua vida. Se a carência bater, não se cobra não! É normal, e faz parte.

E o que fazer quando ela aparecer?

O que não podemos deixar acontecer é deixar esse sentimento tomar conta de nós e fazer com que duvidemos de quem nós somos e o quanto somos incríveis, independente do status civilUma chave para aprendermos a lidar com a carência é o autoconhecimento. Quando compreendemos quem somos, do que gostamos, o que precisamos, o que não precisamos, quais são nossas qualidades e fragilidades... Quando conseguimos nos olhar e ver tudo de lindo que existe em nós, conseguimos “domar” muito mais fácil a carência. Aí sim, compreendemos que não estamos solteiras por qualquer falha nossa, estamos em um momento de autoconhecimento, aguardando uma pessoa de fato especial para nos relacionarmos. Aproveitando os momentos de solitude.

Dá algumas dicas de como lidar com esse comportamento, please?

Uma dica importante é: façam terapia! Busquem auxílio especializado nesse processo de autoconhecimento, a compreender suas relações e sua história. Façam coisas que gostam somente por você! Aquela aula de dança que estava adiando há tanto tempo? Começa logo! Aquele livro que está parado há tempos na prateleira, aquele café com as amigas que é sempre adiado... Se arrume para você! Se re(encontre). Conviva com pessoas que te façam bem, que te compreendam e não te pressionem ou rebaixem sua autoestima. Reveja suas relações. Saber lidar com a carência, não te impede de encontrar ou querer um relacionamento saudável. Se amando e se valorizando pode encontrar alguém legalzão de verdade, seja na faculdade, no bar ou no aplicativo de relacionamento.  

Quando te disserem que você é bonita demais para ser solteira, lembre-se que NÃO! Você é incrível demais para namorar por carência! #arrasouNati

*Gostou dessa entrevista e quer fazer perguntas sobre outros assuntos relacionados aos relacionamentos e sentimentos? Manda um direct pra gente no Insta! (@adoteumcara)

  Por Beatriz Prieto (entrevista e edição) Profissional consultada: Natalia Marques (CRP 06/130211)
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